domingo, 4 de agosto de 2013

Eles se detestam
e as vezes se amam
Amém

É bom e faz
bem para o cérebro
das opções

Funk como a muito
tempo não se ouvia

Saltei
Caí em árvores
E nenhuma cidade
me recupera
Tombei,
como um herói
Perde seu assentamento
Sem inimigos, vencerei
Meus amigos,
Podem até dizer
Que é carnaval
Mas só eu sei
O bloco de amor
Eu sambei

quarta-feira, 27 de março de 2013

O que vale


E se hoje nada ocorrer
O tempo não chegar
O trem atrasar
O caldo entornar
O vazio de acontecer
A fonte não jorrar
Alguém não vier
Deus não responder
Valeu tanto
A pena de esperar
A pena de viver
Porque viver é só isso:
Querer demais.
Querer é bonito demais.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Astrolábio

E se eu vivesse um tempo
Inteiro de um momento estúpido
Ao lado de estar sem palavras
Diante dos seus olhos príncipes
Arpoado ao castelo
De egos e aventuras
Parceira dos meus cadernos
De viagem e de cura
De elos fundamentais na natureza
Giro-grilos, três-borboletas e cama-rãs,
Essas nuvens precisam de sal para desabar
Chovendo nossas alegrias de amanhã
Nesses corpos feridos pelas promessas
Do encontro, reencontro do desencontro
Depositando um lençol sobre o seu frio
Aquecendo sua vontade
De me dormir, tão longe
Visconde, rio do meio, braço nobre
Em maio, o astrolábio, signo claro de trovão
o barulho de um raio num céu que é só raiz
quisera-me o mais bem colocado
verso de sua mão


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Canalha

Sabe o que eu sinto,
Canalha?
Não é solidão:
Isto é a fórceps do desespero.
Sabe o que é, canalha?
Eu sinto é desamparo
Rasgador de peito
Divisor de cama e de mágoa.
É disso que falo, canalha,
Porque estão chamando
De vida,
Mas eu te digo:
Canalha.

terça-feira, 13 de março de 2012

Pagãos

Minha mão é pagã
na noite imaculada
Há um pulso imenso lá fora
E inventei um mito de mim
Próprio
Como esse reino-ave,
César, imperador de tudo
Que existe em 16 metros quadrados
Contorcionado de vontades,
Saltimbanco espalhafatoso
E risonho,
Que zomba da rotação do planeta
Mas nesta manhã me apeguei
À sua alma, incontido, cravo
Imenso para sua rosa orvalhada.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Autocrítica

O que mais você esperava?
Esses são os meus fracassos
Dos quais nem me importo
Desde que derramo as frases
Assim: uma embaixo da outra
Como amantes em dias de vontade
Que pesam um sobre o outro
E nem se importam muito
Se vão escrever

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Cegos

Eu tentei tanto
Foram tantas as vezes
E quando eu acertei
Não reconheci
Nem você também

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Salvar-te

Sarjeta-te
é que em amasiados pecados
já não são pútrios assim
são meninas, as mesmas
deixadas do outro lado
... do lado do céu
depois deprimem e acordam dizendo
ser Deus o culpado
porque ele não é
ele é andor que lhe traz
de volta pra casa

domingo, 7 de agosto de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nuvens esquecidas

Eu tenho uma garganta de chuva
para conversar com os anjos do céu

E ouví-los
só feito calango
com o mesmo empenho
No silêncio das frestas desérticas

Em terras não sabidas
Que quase são como tempestades
As mesmas que se esquecem de nós
como as nuvens se esquecem das águas

sábado, 16 de julho de 2011

Eis que me

Esmagado, cresci
Sangrando, melhorei
Doido, me curei

Manter, não mantive
Os olhos no brilho
O foco no riso
Valeu, mas valeu

Cada noite mal dormida
Os céus de abril
A vesga trave do meu olho
E o desgosto de aturar
A minha criança
Choramingosa
Acabando com minha madrugada

E eis que me
Torso arrependido
Desculpa, por ser perturbado
Eu, me desculpe
Não faço mais isso

Ela ficou ali
Em seu frêmito espelho
De nuvens, de hélio

De longe, de há muito tempo

Bons tempos

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Palmas pro palhaço

É preciso ser palhaço
Sem graça
Homem riscado do mapa
Despatriado ou exilado
Qualquer coisa serve
Mas não é possível errar
sem antes se consumir em poesia
sem fazer letras como quem sangra
ou soltar a voz como quem nega
não há razão pra rever
um cantador não devoto
Enquanto esse não se confundir
Com seus afetos rendidos
Com suas ruas malditas
Nos braços de sua mulher
É preciso ser palhaço
E cantador
Pra receber alguns aplausos
Mesmo se canção
Ainda não acabou

domingo, 15 de maio de 2011

Os canteiros

E pensar que suas fraudes
eram apenas um jeito simples
de lidar com o vazio do planeta
com a obviedade que é existir.

Logo depois se perverteu
da condição natural das bestas
inventou seu próprio apocalipse
e acabou com aquele mundo.

No lugar nasceram
os mais bonitos canteiros
e em sua casa um outro país.

sábado, 20 de novembro de 2010

Aurora



Aurora, Aurora
acorda!
Errei de país.
Amei primeiro que o amor
Ao pensar se ele fugiu
Foi porque nunca veio.
Veja o sangue
veja o fogo
nossa pátria mãe gentil
é a puta que pariu.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Aedo ®


Dos conselhos a seguir
Por tantas celas caminhei
Nesses reinos a basculhar
A paz, aurora ainda desacordada
Ordenado pela passagem  
Em portentos braços viajantes
Com voz estronda anunciei
Os amargos fins de uma era inteira
E vi os grãos navalhados
Separados e eu os contei
No fiado espaço do inenarrável
Eis a volta do Grande Rei
Contra os áspides, brasido canto
Aos amáveis inefáveis alentos
Dos antifonários que esqueci
Aos amores me causei,
Às procelas me venci
Dos assombros de meus ais
E tão longe me afastei
Aos caminhos madrigais
Solidão, é noite
Já não voltarei, jamais

Edaz, platina e virulosa montante
Amava-me como cavaleiro andante
Revesti-me de suntuosa glória
Marchei por entre mouros sentinelas
Morei ao fundo das cidadelas
Mas foi nela pura lídimo pousar
De olhos lumes ao meu fadar
Desmantelei à dura pena
A sina de tantos outros evitei
E só em passos deserdantes
A arca do exílio encontrei
Tanto cantei nas horas vãs
Entre planos desconhecidos
Pelas ilusões acometidas
Para nobres e esquecidos
Delas breviários corações
No mergulho de um instante
Ao elevo dessa senhora
vacante afora de mim
desde que morro por aquela
que escolheu-me para si
tornou-me seu cativo
de ancestrais imensidões
onde o coração amante
redesarma seus grilhões
pois morre porque não morre
vive sem viver em si
Travores me pertubaram
Espreitavam minha solidão
Em sóis levaram o meu espanto
As minhas rugas de imensidão
A espreita esquife, derradeiro verso
Entre tudo que quis, já pedir, não peço
Elenco apenas meu distinto fado
Percorro as grotas, muros e passos
Atando-me aos laços do que vivi
Tentando refazer o caminho

Desde que louco me perdi.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tô tocando ®

Tenho nada nas mãos
somente o meu fluxo
e um resto de canções
inflamadas

Agora que as notas
se fazem carne
um carnaval de sentidos
brinca nas minhas
cordas

E as carícias
que me trazem
os ecos do futuro
Tocam nada
e tocam quase tudo

domingo, 18 de julho de 2010

Da Fuga ®

Não posso te deixar fugir
de onde vim nunca terminei
e me fiz de morto naquela guerra
pra nunca me acharem longe de você

Vê: é outra parte da história
lá onde bençãos são as memórias
que arrebentam pra se mostrar
Vê: se a canção tocar pra nós
e dessa garganta crescer a voz
gritando a verdade sem mais doer

Os poetas ainda vacilam por aí
eles querem demais saber
o que foi feito de você
Se existe conforto por onde ir
ou uma praia pra dormir
deixa que insisto em insistir
é esquisito demais assim
quanto é o longe
até se perder?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Bang! ®


Ela pegava o meu som,
minha música e meu espelho.
Hoje peguei tudo que era meu.
Teria apenas toda saudade
para devolver.
Revolver.
Se você não me quiser
eu te mato
e se você me quiser
eu te mato mais ainda.


De Adla e meu

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Acaso ®

O acaso
esse ilustre companheiro
alheio ao treinamento
prevê nada
para acontecer
é preciso que se exponha
sem degrau de vergonha
sem nariz de se impor

vai, vou,
vou, não fiz
fiz, não faço
vai, não fui
dou, não dor