domingo, 22 de novembro de 2009

Pitangas Choradas


Perder é sabedoria
seu moço

Não saber
é bicho papão
debaixo da cama
trazido e amante
das infâncias
Que se temor
não levar
desespero leva

Leva anos pra resolver
o corpo refazer
E calabouço a procriar
outros espíritos vis
mas continuam os mesmos
todos infantis

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nocturno


Gostar das noites não gosto
as alucinações ficam acesas
as reflexões pusilânimes
e as sensações vadias na mente
angústias saem da cova
mesmo no frenesi natimorto
é proibido olhar o espelho
Pois ali ninguém será
mais louco do que eu.

sábado, 24 de outubro de 2009

A surpresa

Perdi o tempo dos ossos
minha língua reclama por mim
queria inventar um remorso
e remoer o que senti
depois da pele no rosto
do gosto em carne viva
deixou a noite muda
deixou a manhã comprida
Em tempo o visual de fora
molha-se no abafado infernal
o fogo ainda atiça no peito
por sobre o humano natural
então são meus despejos
na brutalidade silenciosa
que almeja, canta e escárnia
a vontade deita e rola
Ana Cañas toca alto
e levanto a minha gola
abaixo o meu chápeu
pra não ser reconhecido
ando firme depois de você
mais seguro e meio tímido
tão dizendo que eu tô bem
eu estou mas eu vou indo