quarta-feira, 2 de maio de 2012

Astrolábio

E se eu vivesse um tempo
Inteiro de um momento estúpido
Ao lado de estar sem palavras
Diante dos seus olhos príncipes
Arpoado ao castelo
De egos e aventuras
Parceira dos meus cadernos
De viagem e de cura
De elos fundamentais na natureza
Giro-grilos, três-borboletas e cama-rãs,
Essas nuvens precisam de sal para desabar
Chovendo nossas alegrias de amanhã
Nesses corpos feridos pelas promessas
Do encontro, reencontro do desencontro
Depositando um lençol sobre o seu frio
Aquecendo sua vontade
De me dormir, tão longe
Visconde, rio do meio, braço nobre
Em maio, o astrolábio, signo claro de trovão
o barulho de um raio num céu que é só raiz
quisera-me o mais bem colocado
verso de sua mão


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Canalha

Sabe o que eu sinto,
Canalha?
Não é solidão:
Isto é a fórceps do desespero.
Sabe o que é, canalha?
Eu sinto é desamparo
Rasgador de peito
Divisor de cama e de mágoa.
É disso que falo, canalha,
Porque estão chamando
De vida,
Mas eu te digo:
Canalha.

terça-feira, 13 de março de 2012

Pagãos

Minha mão é pagã
na noite imaculada
Há um pulso imenso lá fora
E inventei um mito de mim
Próprio
Como esse reino-ave,
César, imperador de tudo
Que existe em 16 metros quadrados
Contorcionado de vontades,
Saltimbanco espalhafatoso
E risonho,
Que zomba da rotação do planeta
Mas nesta manhã me apeguei
À sua alma, incontido, cravo
Imenso para sua rosa orvalhada.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Autocrítica

O que mais você esperava?
Esses são os meus fracassos
Dos quais nem me importo
Desde que derramo as frases
Assim: uma embaixo da outra
Como amantes em dias de vontade
Que pesam um sobre o outro
E nem se importam muito
Se vão escrever

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012