quarta-feira, 27 de março de 2013

O que vale


E se hoje nada ocorrer
O tempo não chegar
O trem atrasar
O caldo entornar
O vazio de acontecer
A fonte não jorrar
Alguém não vier
Deus não responder
Valeu tanto
A pena de esperar
A pena de viver
Porque viver é só isso:
Querer demais.
Querer é bonito demais.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Astrolábio

E se eu vivesse um tempo
Inteiro de um momento estúpido
Ao lado de estar sem palavras
Diante dos seus olhos príncipes
Arpoado ao castelo
De egos e aventuras
Parceira dos meus cadernos
De viagem e de cura
De elos fundamentais na natureza
Giro-grilos, três-borboletas e cama-rãs,
Essas nuvens precisam de sal para desabar
Chovendo nossas alegrias de amanhã
Nesses corpos feridos pelas promessas
Do encontro, reencontro do desencontro
Depositando um lençol sobre o seu frio
Aquecendo sua vontade
De me dormir, tão longe
Visconde, rio do meio, braço nobre
Em maio, o astrolábio, signo claro de trovão
o barulho de um raio num céu que é só raiz
quisera-me o mais bem colocado
verso de sua mão


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Canalha

Sabe o que eu sinto,
Canalha?
Não é solidão:
Isto é a fórceps do desespero.
Sabe o que é, canalha?
Eu sinto é desamparo
Rasgador de peito
Divisor de cama e de mágoa.
É disso que falo, canalha,
Porque estão chamando
De vida,
Mas eu te digo:
Canalha.